quinta-feira, 8 de julho de 2021

O Imponderável

 

O nosso país tem vinte e seis estados, o Distrito Federal, cinco mil quinhentos e setenta municípios e trinta e cinco partidos políticos.

Em cada município existe ao menos uma unidade representativa de cada um desses grupamentos políticos, que é de onde saem ministros e ocupantes de outros cargos em cada um dos ministérios; saem também os secretários dos estados e dos municípios (vários deles em cada estado e em cada município); saem os ocupantes dos principais cargos de livre nomeação dentro da estrutura estatal, das empresas de economia mista, das empresas estatais e paraestatais.

É incomensurável o número de afiliados partidários que se impõem a esse universo de mordomias e de apadrinhamentos que é a rês pública, essa matriz leiteira cujo úbere deve manter essa bezerrada.

Imaginem os trinta e cinco partidos políticos multiplicados por vinte e seis estados, o DF e os cinco mil quinhentos e setenta municípios. A conta é simples - coisas da aritmética básica – mas se estende em resultados:

35x27=           945

35x5570= 194.950

Temos aí cento e noventa e cinco mil, oitocentos e noventa e cinco (195.895) unidades desses grupamentos políticos, cujo interesse de seus dirigentes é se manterem no poder e continuarem a gozar de todas as benesses que os cargos dentro da estrutura estatal lhes oferecem.

Do núcleo desses trinta e cinco partidos políticos saem ainda os oitenta e um Senadores e os quinhentos e treze Deputados Federais e toda a estrutura que os assessora. A coisa é de tal monta, somente nessas duas casas de leis, que durante a sua gestão como presidente do Senado Federal, um de seus integrantes criou oitenta e uma diretorias sem função. Sim, sem função, apenas para acolher familiares, correligionários e apadrinhados à sombra do imenso úbere da rês pública. Mas a ação criminosa e a mamata não se restringem apenas a essas oitenta e uma diretorias extraordinárias, pois elas vêm acompanhadas de todo o aparato funcional e dos salários nababescos que fazem parte da estrutura.

Perdi-me em digressões, mas não há como não se perder quando a tentativa é mostrar um pouco dos desmandos que se cometem em nome da manutenção de uma república federativa como a nossa.

Bem, eu trouxe alguns dados reais, algumas informações complementares e deixo por sua conta a imaginação a respeito das imensas, das incomensuráveis possibilidades por detrás dessa estrutura carcomida e viciada, à qual pretendem impor mais outros setenta e cinco partidos políticos.

Sim, outros setenta e cinco partidos políticos estão em fase de formação e aguardando homologação.

Só para concluir toda essa inútil digressão, imaginemos como ficará a coisa quando ao invés desses trinta e cinco partidos tivermos cento e dez (35+75).

27 estados (26+1) x 110 partidos políticos = 2.860 unidades representativas

5570 municípios x 110 partidos políticos = 612.700 unidades representativas

Aí, ao invés das 195.895 unidades atuais, teremos 615.560 desses currais e toda a bezerrada faminta que os compõem.

Seiscentos e quinze mil, quinhentos e sessenta núcleos partidários abarrotados de “filiados” à espera de uma boquinha dentro da estrutura pública.

Não há quem dê jeito, não há estrutura que aguente, não há erário que suporte tantas barbaridades.

Carlos Gama.

09/7/2021 01:28:49

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Paraíso

 

Um país em que a Carta Magna em vigor foi violada nas sombras do caminho entre a sua aprovação e a publicação;

Um país em que o autor do crime se vangloria cínica e descaradamente de seu feito e não responde pelo ato;

Um país em que os códigos, que tratam dos crimes e das penas, se arrastam na ineficácia e no bolor das décadas;

Um país em que as regras novas se sucedem em abundância e propositadamente se atropelam e conflitam com as existentes;

Um país em que significativa parcela dos eleitores aplaude, elege e reelege os assaltantes dos cofres públicos;

Um país como este, merece sem dúvida a alcunha de Paraíso dos Criminosos.

Carlos Gama.

14/4/2021 18:59:08

quinta-feira, 1 de abril de 2021

O Achincalhe

 

Não é paranóia é apenas uma abordagem, para análise daqueles que se alheiam da realidade, em um país onde os políticos carreiristas saqueiam descarada e abertamente os cofres públicos, por todos os meios ao seu alcance, contando com a falta de memória do eleitor, com a leniência das regras punitivas e com a apatia interesseira e conivente de todos os rabos-de-palha que permeiam a estrutura desse circo a que se convencionou chamar de uma “república federativa” (ativa e fedorenta estrutura, carcomida por vícios recentes e estruturais que se arrastam desde o final do século dezenove, sem que se faça nada para interromper esse escorregar pelos becos lamacentos da imoralidade institucional).

Se você teve paciência e me deu crédito para chegar até aqui, merece que eu mostre e comente apenas e tão somente o mais recente absurdo contra a estrutura estatal, cometido pelos bandidos de terno e de gravata. Sim, de saias também!

Não, não é a célebre piada de primeiro de abril, mas convenhamos que esta data deveria ser aquela em que se comemoraria o Dia da Política Brasileira.

A imprensa noticia nesta data, que o presidente da câmara federal (não cabem maiúsculas) aprovou o aumento das verbas individuais para as despesas médicas dos nababos de plantão (este país não caminha sem uma revolução, pois os criminosos, os assaltantes dos cofres públicos aí estão, livres e atentos, criando sempre novas oportunidades para saquearem o erário). Sim, precisamos de uma revolução! Uma revolução séria nos costumes, nos princípios e na falta deles, na estrutura e nas regras de funcionamento da máquina estatal. Mas que essa revolução venha com urgência, antes que a lona pegue fogo.

Mas, vamos lá!

Além das absurdas despesas (aí se incluem salários nababescos, assessores em penca e verbas de todo tipo e ordem), sempre justificadas pelo caradurismo e pela imoralidade instituídos, esses aproveitados permanentes saem - a cada nova oportunidade por eles criada - de caneta em punho para assaltar um pouco mais o povo miserável (em todos os sentidos) que os elege, reelege e sustenta nesta ceva republicana.

O saque desavergonhado e mais recente deste primeiro de abril republicano, foi o aumento do “limite” de reembolso das despesas médicas, sem necessidade de aval da “mesa”, que podem chegar a cento e trinta e cinco mil e quatrocentos reais (R$ 135.400,00). Além desse valor, o gasto dependerá do aval de seus pares...

Plano de saúde? Sim, naturalmente, suas excelências contam com um plano de saúde com o pagamento da módica quantia de seiscentos e trinta reais mensais (R$ 630,00), o resto é xepa!

Pois é, quando a morte ceifa sem pena e um vírus (quase tão mortal quanto a política) se espraia sem limites, contando com a falta de insumos e de leitos para acolher as suas vítimas, a casa de “leis” situada no Planalto Central promove esse ato de achincalhe da estrutura legal, esse arcabouço que aos poucos se esboroa carcomido pelos abusos, pelo descaso e pela total ausência de senso de moral e de respeito.

Riem! Sim, como eles riem... Mas riem sempre com razão!

Carlos Gama.

01/4/2021 14:00:19

sábado, 20 de março de 2021

A Alma

Aonde ficam o respeito próprio, o caráter e a própria alma, quando algumas autoridades tergiversam, pondo em risco vidas humanas para atingirem seus objetivos funcionais, econômicos e sustentarem a vaidade de suas vidas vazias de significado?

Carlos Gama.

20/3/2021 02:02

segunda-feira, 8 de março de 2021

Desencanto

 Hoje (08/3/2021), o meu país não merece sequer comentário.

 Não por ele em si, mas pela estrutura podre e carcomida que o enlameia e faz com que tenhamos vergonha desse arremedo republicano.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

A PROSTITUÍDA...

Violentada ainda no nascedouro, a jovem continua sendo tratada como se rebotalho fosse, mesmo passados trinta e dois anos.

Esperança de um povo, ponto de exploração da classe política e de uma parcela daqueles que sobrevivem dos frutos do erário, a prostituída de oitenta e oito é uma colcha de retalhos nas mãos hábeis e venais de costureiras profissionais, que continuam a alinhavar os remendos de seus interesses.

Não tenhamos ilusões sobre o término dos trabalhos, pois dia após dia lhe são acrescentados novos enxertos, e no ano em que ela deverá (ia) completar trinta e três primaveras tudo tende a ficar mais auspicioso, mas com certeza não será para o povo brasileiro.

Carlos Gama.

06/01/2021 12:20:29

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Pacotes e Embrulhos

 

Empresas de todas as áreas, especialmente concessionárias de serviços públicos no campo da telefonia, internet e televisão a cabo (televisão acabo) usam de todos os expedientes – lícitos ou não – para ludibriar o consumidor, mesmo atropelando a legislação que trataria de sua defesa.

Conjuntos aos quais dão nome de pacotes são em realidade verdadeiros "embrulhos", impondo a venda casada de produtos e de serviços (desserviços), pois contam com o beneplácito dos agenciadores oficiais, com a inércia do poder público em geral e com o silêncio covarde do próprio consumidor, que sabe das dificuldades que terá de enfrentar para tentar peitar esses gigantes da corrupção instituída, nos tribunais assoberbados por conta do excesso de demandas provocadas por esses grupos ou geradas pelo próprio estado e seus agentes.

Uma verdadeira batalha de formicídeos, que precisariam estar unidos para poderem enfrentar os tamanduás da exploração dos serviços sob concessão estatal, mas, infelizmente o consumidor ainda não atingiu o estágio de desenvolvimento, consciência e organização das pequenas formigas.

Pagamos o alto preço de nosso individualismo e isso nos custa os furtos todos a que somos submetidos vida afora.

Carlos Gama.

17/08/2020 23:51:50

Carta aos Tungados

Esta não tem nada a ver com a outra carta, embora o título tenha alguma semelhança fonética. Esta é uma carta dirigida a você que se sen...