quinta-feira, 1 de abril de 2021

O Achincalhe

 

Não é paranóia é apenas uma abordagem, para análise daqueles que se alheiam da realidade, em um país onde os políticos carreiristas saqueiam descarada e abertamente os cofres públicos, por todos os meios ao seu alcance, contando com a falta de memória do eleitor, com a leniência das regras punitivas e com a apatia interesseira e conivente de todos os rabos-de-palha que permeiam a estrutura desse circo a que se convencionou chamar de uma “república federativa” (ativa e fedorenta estrutura, carcomida por vícios recentes e estruturais que se arrastam desde o final do século dezenove, sem que se faça nada para interromper esse escorregar pelos becos lamacentos da imoralidade institucional).

Se você teve paciência e me deu crédito para chegar até aqui, merece que eu mostre e comente apenas e tão somente o mais recente absurdo contra a estrutura estatal, cometido pelos bandidos de terno e de gravata. Sim, de saias também!

Não, não é a célebre piada de primeiro de abril, mas convenhamos que esta data deveria ser aquela em que se comemoraria o Dia da Política Brasileira.

A imprensa noticia nesta data, que o presidente da câmara federal (não cabem maiúsculas) aprovou o aumento das verbas individuais para as despesas médicas dos nababos de plantão (este país não caminha sem uma revolução, pois os criminosos, os assaltantes dos cofres públicos aí estão, livres e atentos, criando sempre novas oportunidades para saquearem o erário). Sim, precisamos de uma revolução! Uma revolução séria nos costumes, nos princípios e na falta deles, na estrutura e nas regras de funcionamento da máquina estatal. Mas que essa revolução venha com urgência, antes que a lona pegue fogo.

Mas, vamos lá!

Além das absurdas despesas (aí se incluem salários nababescos, assessores em penca e verbas de todo tipo e ordem), sempre justificadas pelo caradurismo e pela imoralidade instituídos, esses aproveitados permanentes saem - a cada nova oportunidade por eles criada - de caneta em punho para assaltar um pouco mais o povo miserável (em todos os sentidos) que os elege, reelege e sustenta nesta ceva republicana.

O saque desavergonhado e mais recente deste primeiro de abril republicano, foi o aumento do “limite” de reembolso das despesas médicas, sem necessidade de aval da “mesa”, que podem chegar a cento e trinta e cinco mil e quatrocentos reais (R$ 135.400,00). Além desse valor, o gasto dependerá do aval de seus pares...

Plano de saúde? Sim, naturalmente, suas excelências contam com um plano de saúde com o pagamento da módica quantia de seiscentos e trinta reais mensais (R$ 630,00), o resto é xepa!

Pois é, quando a morte ceifa sem pena e um vírus (quase tão mortal quanto a política) se espraia sem limites, contando com a falta de insumos e de leitos para acolher as suas vítimas, a casa de “leis” situada no Planalto Central promove esse ato de achincalhe da estrutura legal, esse arcabouço que aos poucos se esboroa carcomido pelos abusos, pelo descaso e pela total ausência de senso de moral e de respeito.

Riem! Sim, como eles riem... Mas riem sempre com razão!

Carlos Gama.

01/4/2021 14:00:19

sábado, 20 de março de 2021

A Alma

Aonde ficam o respeito próprio, o caráter e a própria alma, quando algumas autoridades tergiversam, pondo em risco vidas humanas para atingirem seus objetivos funcionais, econômicos e sustentarem a vaidade de suas vidas vazias de significado?

Carlos Gama.

20/3/2021 02:02

segunda-feira, 8 de março de 2021

Desencanto

 Hoje (08/3/2021), o meu país não merece sequer comentário.

 Não por ele em si, mas pela estrutura podre e carcomida que o enlameia e faz com que tenhamos vergonha desse arremedo republicano.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

A PROSTITUÍDA...

Violentada ainda no nascedouro, a jovem continua sendo tratada como se rebotalho fosse, mesmo passados trinta e dois anos.

Esperança de um povo, ponto de exploração da classe política e de uma parcela daqueles que sobrevivem dos frutos do erário, a prostituída de oitenta e oito é uma colcha de retalhos nas mãos hábeis e venais de costureiras profissionais, que continuam a alinhavar os remendos de seus interesses.

Não tenhamos ilusões sobre o término dos trabalhos, pois dia após dia lhe são acrescentados novos enxertos, e no ano em que ela deverá (ia) completar trinta e três primaveras tudo tende a ficar mais auspicioso, mas com certeza não será para o povo brasileiro.

Carlos Gama.

06/01/2021 12:20:29

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Pacotes e Embrulhos

 

Empresas de todas as áreas, especialmente concessionárias de serviços públicos no campo da telefonia, internet e televisão a cabo (televisão acabo) usam de todos os expedientes – lícitos ou não – para ludibriar o consumidor, mesmo atropelando a legislação que trataria de sua defesa.

Conjuntos aos quais dão nome de pacotes são em realidade verdadeiros "embrulhos", impondo a venda casada de produtos e de serviços (desserviços), pois contam com o beneplácito dos agenciadores oficiais, com a inércia do poder público em geral e com o silêncio covarde do próprio consumidor, que sabe das dificuldades que terá de enfrentar para tentar peitar esses gigantes da corrupção instituída, nos tribunais assoberbados por conta do excesso de demandas provocadas por esses grupos ou geradas pelo próprio estado e seus agentes.

Uma verdadeira batalha de formicídeos, que precisariam estar unidos para poderem enfrentar os tamanduás da exploração dos serviços sob concessão estatal, mas, infelizmente o consumidor ainda não atingiu o estágio de desenvolvimento, consciência e organização das pequenas formigas.

Pagamos o alto preço de nosso individualismo e isso nos custa os furtos todos a que somos submetidos vida afora.

Carlos Gama.

17/08/2020 23:51:50

terça-feira, 28 de julho de 2020

O Rei, as Galinhas e as Raposas


Era uma vez em um tempo distante, um império no ocidente com área muito extensa, mas mal explorada pelos nativos, que não conseguiam se unir em torno de interesses comuns.

Esse império era governado por um homem muito sábio, com o coração pleno de amor pelo seu país e pelo seu povo.
Porém, ele vivia triste por causa da condição de miserabilidade e do egoísmo da maioria de seus súditos.

Então, ele rogou ajuda à Divindade Maior, que lhe concedeu como presente para o seu país três galinhas. A princípio ele ficou meio desiludido, mas manteve seu espírito de gratidão. Aí, a divindade que já conhecia o seu íntimo e seu senso de solidariedade, explicou que aquelas três pequenas aves eram únicas, eram uma verdadeira mina, pois punham ovos de ouro.

O sábio imperador agradeceu muito, muito pelo presente e se retirou para a sua terra levando com cuidado o régio presente.

Mandou construir um galinheiro especial, fortificado e sempre bem cuidado por guardas da mais absoluta confiança.
Todavia, ainda assim, alguns deles transigiam e vez ou outra um gambá furtava alguns dos ovos. O imperador tentava, mas em sua boa-fé jamais conseguiu prender e punir os relapsos guardiães, porque eles eram todos muito bem relacionados entre si e ligados aos traidores que também tinham interesse nos frutos daquelas aves inigualáveis.

Certo dia, todos os interessados nos ovos se uniram em um complô e destituíram o imperador, enviando-o para o exílio, onde ele morreu de tristeza, preocupação com o futuro e de saudades de sua terra natal.

Os traidores criaram então um sistema de governo baseado nos moldes de um dos vizinhos mais ao norte e puderam através do tempo manipular a ordem de preenchimento do cargo de governante, que passou a ser temporário. Sim, temporário, mas dentro de um circuito que sempre trazia ao poder os mesmos grupos e, nas raras vezes que alternavam era por pessoas ainda mais gananciosas e com os mesmos instintos predatórios e individualistas.

Ainda assim, o país crescia com os frutos dos ovos que ainda sobravam para os cofres da nação e isso colocava os países vizinhos e até os mais distantes, sempre de olho nas galinhas dos ovos de ouro, especialmente aqueles países governados pelo clã das raposas, que queriam engordar ainda mais...

Foi então que elas se uniram e decidiram ir também à presença da Divindade que, sabendo de suas intenções, recebeu-as com um pé atrás. Mas, elas também eram parte do seu universo e a Divindade as ouviu com atenção. Todas elas queriam a mesma coisa: as galinhas dos ovos de ouro.

A divindade lhes disse que não havia outras galinhas como aquelas e que elas já haviam sido dadas de presente a quem fizera por merecer: o velho imperador.

Mas, não as deixarei voltarem de mãos vazias. Conceder-lhes-ei o privilégio de se transformarem em seres humanos, assim que o desejarem. Mas, tomem muito cuidado com os seus atos, porque se as galinhas forem roubadas ou furtadas, todos vocês poderão voltar a ser o que são por natureza e aí eu as colocarei no deserto, onde só encontrarão um calango ou outro para mitigar a fome e nada para matar a sede.

As raposas agradeceram e voltaram para as suas terras, conscientes de que não poderiam errar quando fossem tentar se apossar das galinhas dos ovos de ouro.

Unidas pelo interesse comum, elas chegaram à conclusão de que deveriam se infiltrar no reino das galinhas dos ovos de ouro e chegar ao palácio, para tentar influenciar o reinante de ocasião. E foi o que fizeram!

Por anos a fio, foram se alternando nas cercanias do trono, mas não conseguiam seu intento, porque havia nativos que também engordavam com a partilha dos ovos furtados, contando com a conivência de muitos patrícios ligados ao poder.

As raposas então, decidiram se preparar e unidas iam aos poucos conseguindo cargos no governo, cada vez mais próximos do trono, com o propósito de influenciarem as decisões sobre a venda das galinhas dos ovos de ouro.

Afinal, elas comiam mais que as galinhas comuns, estavam sempre sujeitas aos desvios dos ovos que botavam, então, a medida mais lógica era vendê-las e colocar o dinheiro nos cofres do reinado...

Por enquanto a nossa fábula fica por aqui, porque o pretenso fabulista, não é mais que um simples narrador da realidade que observa com tristeza.

Juan de La Botella.

28/07/2020 11:27:51

domingo, 14 de junho de 2020

Interesses Outros

Recebi nesta manhã a cópia de uma mensagem de questionamento, enviada pela ONG Amigos de Santos à empresa Rumo, que é a concessionária de doze mil quilômetros da malha ferroviária brasileira, abrangendo os principais pólos produtores e portos do país.

O desmembramento e a privatização da malha ferroviária federal é assunto antigo e não cabe aqui questionar a sua validade, mas o que nos incomoda neste momento é justamente a ampliação dos prazos de concessão – agora até o ano de dois mil e cinqüenta e oito – sem que a empresa (financiada pelo BNDES) cumpra com o conteúdo dos contratos firmados na hora da concessão; dentre eles a reativação da linha que interliga o Porto e a Cidade de Santos ao Vale do Ribeira - transportando carga e passageiros -, linha esta que funcionou com eficiência e produtividade até o desmembramento e privatização da rede ferroviária no final da década passada.

Cada vez mais, a facilidade das comunicações e a disseminação das notícias têm sido usadas, e bem usadas, para “fazer a cabeça” dos cidadãos movidos por excessiva boa-fé, especialmente aqueles que se lançam de forma atabalhoada às ondas de apoio aos detentores permanentes do poder instituído, que também são levados por promessas, estatísticas e interesses outros.

Interesses outros que englobam vaidade, ânsia pelo poder e assuntos pessoais que se arrastam também pelo campo econômico e por sua sobrevivência futura e de seus apoiadores profissionais.

É nesse último campo que a guerra é travada, em detrimento dos interesses do país e de seu povo como um todo; a história contemporânea nos vêm mostrando isso com dolorosa clareza.

É natural que as empresas que manipulam o capital – especialmente o do erário - tenham interesse apenas pelas estatais mais lucrativas pois é a lógica, a mesma lógica que falta aos governos ao entregarem quase de mão beijada o patrimônio público lucrativo e ainda financiarem a aquisição e até alguns pretensos investimentos.

Entrega-se o patrimônio, ainda que não seja a troco de bananas e esse capital, usualmente mal versado, desaparece como água na bateia, enquanto o ouro continua a engordar permanentemente as contas bancárias e até novas aquisições pretendidas por seus acionistas.

Falta-nos um tanto de amor à pátria, para defendermos especialmente as galinhas dos ovos de ouro que, quando não vão para a panela, são trocadas por outras, comuns, em feiras de finais de semana.

Há que se questionar permanentemente e com a veemência necessária a entrega costumeira do patrimônio público a terceiros e a seus defensores, conduzidos por segundas ou terceiras intenções.

Afinal, qual o verdadeiro interesse em transferir para a iniciativa privada uma empresa estatal ou paraestatal que historicamente e por lógica só traz lucros?

Infelizmente, o que se têm visto nos últimos cento e trinta nos, é a mesma prática de saque ao erário, seja com a mão esquerda ou com a direita, pois nessa hora parece que os interessados – com maior ou menor habilidade - são todos ambidestros.

Carlos Gama 


Santos, 06 de Junho de 2020

Carta aos Tungados

Esta não tem nada a ver com a outra carta, embora o título tenha alguma semelhança fonética. Esta é uma carta dirigida a você que se sen...